segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

[incompleta

E tudo quanto me era sorte
Joguei pela janela aberta
Junto do meu destino já sem norte
E da morte ainda incerta.

E, pois, que minhas asas
Já queimadas pelo Sol
Fez-me cair entre os ares
Da infinita desilusão.

E o que dizer se o dito me era fato?
Se dos meus sonhos, o retrato
Da vida que rasguei.

E porquanto, amando a todos como se todos o amassem
Desvendou em seu desterro
Que a voz da alma perece o coração
No abrir dos olhos em desespero
Enxergando uma realidade um tanto quanto em vão.


.Ariel du Coudry

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Vai-se

A grande novidade da vida é não vivê-la.
Quem vive não vive a vida,
Vive o tempo.
Viver a vida é algo além, aquém de nós.
Viver a vida é tentar sempre ser.
..........................................[ você.
Demorei muito para enxergar o que estava diante de meus olhos,
Ou talvez não, creio eu.
Cegeui-me por conta própria.

Sabia que no abrir dos olhos o mundo cairia,
Que a realidade era mesmo aquilo
Que eu há muito dava ás costas.
Mas não adianta fugir
Não adianta temer
Pois um dia os olhos se abrem.

Hoje estou vendo
Hoje posso sentir;
Como era bom o tempo em que eu estivera morto.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Ode aos Humanos

Não sabia de certa forma o que eu era
Ou mesmo quem ou o quê eu queria.
Não sabia se ser humano era vantagem
Ou mesmo se carregar no peito ódio ou amor era bom.


Talvez nunca gostei de nada,
Ou talvez gostei de tanta coisa que as esqueci.
Acreditaria em verdades falsas
Apenas para engolir a seco certos fatos e continuar tudo como está.
Ou talvez devesse falar o que sinto e, de certa forma,
Mandar tudo se danar e ir para o Inferno.


Sentir inveja, quem nunca sentiu que atire a primeira pedra.
Choveriam pedras todos os dias, ifinitamente.
Quem nunca se logrou com a desgraça alheia?
Nem preciso ir tão longe:
Quanta vez já riu ou desejou um mal a quem está aí do seu lado?
Não sou diferente. Nunca fui. Você não é.


Quanta vezes nos pegamos sós,
Fizemos por merecer ? Claro que sim.
Não culpe o outro antes de culpar a si mesmo,
Mas mesmo se culpando se ainda sentir culpa
Culpe o outro. Acabe com o outro, e depois,
Acabe consigo mesmo.


Amar, amar é bem fácil
Tal como magoar é bem mais fácil ainda.
Por isso logra-se mais magoando que se amando
Afinal, entre algo fácil e facílimo
Que idiota escolheria amar ?


O melhor de tudo é a hipocrisia
A falsidade, ah como é bom, não?
Por que esta cara assustada?
Assim como você eu também tenho nojo de humano ás vezes.
Não se queixe por não conseguir ser humanitário,
Afinal, aquele que chegou mais perto morreu numa cruz.
Você teme a Cruz ? Eu também.


Lembre-se de que confiar é uma mentira.
Mentira. Mentira e mais mentira.
Espere o momento certo e verá
Como a confiança lhe apunhalará pelas costas.
E quando isto acontecer, aproveite para chorar
Enquanto outros rirão de sua queda.


Confesso que ás vezes tenho vergonha de mim
De ter sido assim ou de não ter sido nada disto,
Mas pouco importa. Não me interessa.
Você é a mesma merda que eu.
Somos a mesma coisa. [mais uma hipocrisia].
Não é mesmo ?


Sabe, amigo, algum dia espero levantar de verdade,
Levantar e ver o mundo como ele não é.
Um dia eu ainda espero.

domingo, 15 de março de 2009

Sobre os tempos

Queria ter olhado mais para as estrelas
Tê-las visto brilhando
Entre os encantos da noite,
Queria ter sido mais humano.

Queria ter prestado mais atenção
No canto dos pássaros,
Ter sentido mais o vento
Ao invés de ter lamentado o passado.

Devia ter amado aqueles que odiei
E mais ainda aqueles que amava,
Devia ter te abraçado quando pude
E ter lhe dado as mãos sem receios.

Queria ter andado sobre a areia
Descalço e sem compromisso.
Queria ter tido um filho
E ter acreditado nos meus sonhos de criança.

Queria, enfim, tão só
Uma última chance de dizer
.......................... [ te amo.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Infração Gramatical

Sabe de um coisa, não quero ser mais Eu.
A partir de hoje vou ser Você.
Logo;
Eu é
Você sou.

(Ch.In)

Por dentro

.


.

E estava ali, acompanhado de si mesmo
E tão só assim; sozinho.
E que por de trás de cada sorriso
Uma lágrima escondida
Um vazio
Um nada.

Ainda que tivesse a quem dizer
Ainda que as palavras fossem ditas
E pudesse ser escutado
Aquele infinito intangível
Persistia. Angustiava
Enferrujando o coração.

E como o pior dos covardes
Admitia sua covardia
É fraco para acompanhar a morte
E tolo para seguir em frente
E
por isso pára em si mesmo
Acostumando-se com a águia
Que aos dias lhe tira o sangue.

E não há o que fazer
E não há o que pensar
Se já não podes mais viver
Se já não consegues mais amar.

Apenas tenhas força de dizer.
...................................[Adeus.

(Ch.In)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Não Se Mate


Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.



Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.



O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê,
pra quê.



Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém, ninguém sabe nem saberá.





(Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Manhã de segunda



Houve um dia em que não sorri

Nem olhei para o lado

E nem me vi


Era um dia nublado

Um dia frio

Um dia parado.


E a verdade que não era eu, nem era você

Não éramos nós.

Era o dia de minha morte

De minha sorte, de novos sóis.


(Ch.IN)

Por quereres

Por que é tão difícil dizer que te amo?
Por quê ? Diga-me por quê ?
Por que diabos me engano
Se meu coração já é teu?

Quê jeito triste de ter você.
Por que não te esqueço
Não te largo,
Não padeço ?

Por que sou covarde
Frente ao meu proprio coração?
Por quê, diga-me por quê
Insisto em amar sozinho ?

Ah, por que não levas minh' alma
Enquanto ainda é viva
Enquanto persisto em viver
Nesta vida sem vida.

(Ch.In)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Pastel Rejeitado

oh vida, oh morte!
rejeita meu pastel de chocolate
e depois diz ter saudade...


Danilo Oliveira e Silva